Após mais de duas décadas de negociações, o Acordo de Parceria entre o Mercosul e a União Europeia foi oficialmente assinado em janeiro de 2026, representando um marco geopolítico, econômico e estratégico sem precedentes para o Brasil e seus parceiros regionais. Em um cenário global cada vez mais fragmentado por disputas comerciais, protecionismo e unilateralismo, a consolidação deste acordo é uma poderosa mensagem em defesa da integração, da cooperação multilateral e do fortalecimento do comércio internacional como motor para o desenvolvimento sustentável.
O acordo conecta dois dos maiores blocos econômicos do mundo: juntos, Mercosul e União Europeia reúnem mais de 700 milhões de pessoas e representam um PIB combinado de cerca de US$ 22,4 trilhões. A dimensão do pacto é notável, não apenas em volume de comércio, mas também em abrangência: vai além da simples redução de tarifas, estabelecendo mecanismos de cooperação técnica, política e institucional em diversas áreas, como inovação, sustentabilidade, compras governamentais, propriedade intelectual e desenvolvimento regional.
Para o Brasil, os impactos são especialmente significativos. A União Europeia é hoje o segundo principal parceiro comercial do país, com uma corrente de comércio que superou US$ 100 bilhões em 2025, dividida quase igualmente entre exportações e importações. O acordo prevê a eliminação de tarifas sobre cerca de 95% das exportações brasileiras para o mercado europeu, com cronogramas de desgravação de até 12 anos para produtos industriais e agroindustriais. Em contrapartida, o Brasil também abrirá gradualmente seu mercado para produtos e serviços europeus, com salvaguardas para setores sensíveis, como automotivo, farmacêutico e saúde pública.
Mais do que números, o acordo oferece ao Brasil uma oportunidade concreta de reposicionamento estratégico na economia global. Ao alinhar-se com um bloco que valoriza práticas ambientais, inovação tecnológica e responsabilidade social, o país eleva seus padrões de produção e se aproxima de mercados exigentes e com alto poder de consumo. Para a indústria, isso representa uma chance real de modernização, acesso facilitado a novas tecnologias, atração de investimentos e estímulo à competitividade.
📌 Principais impactos do Acordo para a indústria brasileira
- Redução ou eliminação de tarifas para mais de 90% dos produtos industriais exportados à UE
- Estímulo à integração em cadeias produtivas globais e uso de insumos de alta tecnologia
- Incentivo à modernização do parque fabril com exigências regulatórias mais elevadas
- Ampliação de acesso a compras públicas e projetos de inovação com apoio europeu
- Proteção a setores estratégicos por meio de cotas, prazos estendidos e mecanismos de salvaguarda
- Compromissos com sustentabilidade, transição energética e descarbonização
- Estimativas de crescimento de R$ 52 bilhões nas exportações até 2044
- Previsão de impacto positivo de R$ 37 bilhões no PIB brasileiro, segundo simulações do governo federal
A relevância do acordo também está no reforço da segurança jurídica e da previsibilidade regulatória, elementos fundamentais para a atração de investimento estrangeiro direto (IED); a União Europeia já responde por quase metade do estoque de IED no Brasil. Com o novo pacto, essa posição tende a se consolidar ainda mais, especialmente em setores como infraestrutura, energia, tecnologia da informação, manufatura e automação industrial.
É importante destacar que o acordo não ignora a realidade dos países do Mercosul. Diversos mecanismos de equilíbrio foram incorporados ao texto final, incluindo cláusulas de reequilíbrio de concessões, programas de apoio à implementação e instrumentos para que países e empresas menos preparadas possam se adaptar gradualmente. O “Pacote de Brasília”, resultado das rodadas de negociação mais recentes, reforça o equilíbrio entre ambição comercial e preservação do espaço de políticas públicas, permitindo que os países continuem promovendo desenvolvimento regional, saúde, agricultura familiar e inclusão social.
Para empresas como a Ar Fusion, que atuam diretamente com inovação, automação e soluções para a indústria brasileira, o acordo representa um novo horizonte de oportunidades. Com o acesso facilitado a componentes de alto desempenho e a possibilidade de atender clientes que estão integrando cadeias globais, temos a chance de expandir não apenas nossa atuação, mas também o impacto positivo que levamos à indústria nacional.
Em um contexto de transformação acelerada, o acordo é um convite à adaptação, mas também à liderança. Ele coloca o Brasil em rota de convergência com as economias mais avançadas do mundo e cria o ambiente necessário para que empresas brasileiras prosperem com competitividade, inovação e propósito.
Acreditamos que o momento é agora. O vento está soprando a favor da indústria brasileira, e a Ar Fusion está pronta para continuar sendo o ar que move esse novo ciclo de crescimento.









