A indústria ainda carrega uma imagem predominantemente masculina, especialmente quando falamos de áreas técnicas como usinagem. Essa percepção não é infundada, números do setor mostram que a participação feminina ainda é menor nessas funções.
Mas essa realidade não é estática.
Na Ar Fusion, mulheres representam cerca de 33% da equipe e estão distribuídas em diferentes áreas da empresa: do Administrativo à Produção, da Expedição ao Comercial. Essa presença não é simbólica. É operacional.
Entre esses perfis estão Patrícia e Miriam. Duas histórias distintas, dois momentos de vida diferentes, mas um ponto em comum: participação direta na rotina da empresa.
Patrícia: técnica, adaptação e construção de espaço
Patrícia sempre trabalhou na indústria. Desde jovem, atuou com montagem e produção. A usinagem da Ar Fusion, no entanto, foi um novo território, técnico, exigente e tradicionalmente masculino.
E este começo, claro, exigiu adaptação.
“Desafiador no começo… mas com confiança e acreditando na minha capacidade profissional, fui me adaptando.”
Entrar em uma área onde quase não há mulheres exige domínio técnico e segurança pessoal. Hoje, ela é a única mulher na equipe de usinagem da Ar Fusion.
Essa condição ainda provoca reações. Não dentro da operação, mas no olhar externo.
Certa vez, ao sair da empresa, um motorista de aplicativo perguntou com o que ela trabalhava. Ao ouvir que era na usinagem, demonstrou surpresa imediata e quis saber se havia outras mulheres na área.
“Eu disse que ainda não… mas quem sabe futuramente?”
A resposta, leve e espontânea, revela algo maior: ainda é incomum associar mulheres a determinados ambientes industriais. Mas é uma mudança necessária.
Patrícia reconhece que o mercado avançou, mas também observa que, no cenário nacional, ainda existem desafios estruturais, como desigualdade salarial e baixa presença feminina em cargos de liderança.
Mesmo assim, seu foco está no trabalho diário. Ela fala da produção como processo coletivo, onde cada etapa influencia o resultado final.
Se tivesse que resumir sua trajetória profissional, ela escolhe três palavras que traduzem sua experiência:
“Coragem, vontade de aprender, encarar os obstáculos e ser resiliente.”
Não como discurso. Como prática.

Miriam: tempo, transformação e escolha
Se Patrícia representa a ocupação de um espaço técnico, Miriam representa a permanência.
Quando começou sua vida profissional, o mercado era outro. Processos manuais, comunicação direta, contato pessoal.
“Quando entrei, era tudo manual. Computador e celular nem existiam.”
Nascida em 1.966, ela viveu a transição da indústria analógica para a digital. Sistemas, aplicativos, tecnologia e velocidade passaram a fazer parte da rotina.
Reconhece a eficiência que veio com isso, mas guarda uma preferência:
“Antigamente era mais contato pessoal, algo que eu gostava muito.”
Essa observação não é resistência à mudança, é memória de uma outra dinâmica de trabalho.
Na Expedição, onde organização e conferência impactam diretamente a entrega ao cliente, Miriam destaca o que a versatilidade e maturidade são suas ferramentas nos pequenos desafios:
“Ter paciência e manter a calma.” Em um ambiente onde prazos e responsabilidade caminham juntos, esse equilíbrio faz diferença.
Trabalhar aos 60 anos não é um símbolo para ela. É uma escolha.
“Gosto muito de trabalhar e estar ativa no mercado.”
Quando alguém demonstra surpresa com sua idade, a reação é simples: agradecer e seguir (e segue acelerada pelos corredores do estoque).
Para mulheres que estão iniciando a carreira, seu conselho combina técnica e postura:
“Começar uma carreira é um momento emocionante e desafiador. É preciso combinar competência, inteligência emocional e estratégias para lidar com os desafios.”

Entre avanço e realidade
As trajetórias de Patrícia e Miriam revelam duas dimensões importantes da presença feminina na indústria:
- A ocupação de áreas onde mulheres ainda são minoria
- A permanência ativa em um mercado que se transformou radicalmente
Não são histórias extraordinárias. São histórias reais. São mulheres que impactam e enriquecem toda marca.
Na Ar Fusion, mulheres participam da transformação da matéria-prima, da organização da entrega e da rotina que sustenta a operação. Fazem parte do processo produtivo com técnica, maturidade e responsabilidade.
Ainda existem desafios gigantescos num mundo estruturalmente patriarcal. Ainda há espaço para evolução em igualdade e representatividade.
Mas há também prática diária, competência construída e presença concreta.
Um olhar da Ar Fusion
Falar sobre mulheres na operação não é apenas marcar uma data no calendário. É reconhecer que a diversidade (inclusive a de gênero) faz parte da construção e dos resultados da nossa marca.
O mundo se transforma constantemente. Mudam as tecnologias, mudam os processos, mudam as formas de comunicação. O que sustenta essa transformação são as pessoas.
Valorizar mulheres como Miriam e Patrícia, e todas as demais colaboradoras que integram a Ar Fusion, é reconhecer trajetórias que atravessam gerações, ocupam espaços e mantêm a operação em movimento.
Não se trata de exceção. Trata-se de presença.









